Ciro Gomes diz que ‘não viu e não vai ver’ vídeo de Michelle e que crise com Flávio Bolsonaro não envolve ‘paróquia’ local
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Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao Governo do Ceará, falou nesta quinta-feira (25) que não viu o vídeo de Michelle Bolsonaro em que diz ter sido maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro. A ex-primeira dama criticou as decisões do PL Ceará por apoiar Ciro, que, por sua vez, disse que o problema é do PL Nacional e que o assunto tratado por Michelle “envolve coisas muito mais complexas do que a nossa paróquia aqui” – em referência ao estado cearense.
“Não vi o vídeo e nem vou ver. É uma questão do PL nacional e envolve coisas muito mais complexas do que a nossa paróquia aqui. Eu sigo aqui tranquilo. O eixo do nosso entendimento aqui é um projeto de emancipação do Ceará que nós consideramos que está sendo muito mal tratado”, disse Ciro.
Em vídeos publicados nas redes sociais nesta quarta-feira (24), Michelle expõe uma briga com Flávio e diz que eles não se falam desde o fim de 2025. A discussão dos dois envolve a disputa pelo palanque do PL no Ceará, em que o diretório local do partido se aliou com o pré-candidato Ciro Gomes (PSDB).
“Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, afirmou Michelle sobre Flávio.
O episódio citado pela ex-primeira-dama teve início em um comício do qual ela participou em Fortaleza (CE) no fim de 2025. À época, Michelle lembrou que Ciro havia criticado duramente Jair Bolsonaro e seus filhos na época em que ele era presidente e afirmou que o apoio articulado por André Fernandes, presidente estadual do PL no Ceará, era precipitado.
No Ceará, Michelle defende a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Estado. Conforme a ex-primeira dana, Girão representa os valores defendidos por Bolsonaro. Ela avalia que um apoio do PL a Ciro só deveria ocorrer em um eventual segundo turno. O PL oficializou apoio ao ex-ministro em maio deste ano.
“É sobre essa aliança que vocês se precipitaram a fazer. Eu tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, assim não dá”, disse Michelle no comício de 2025, olhando para Fernandes.
Ela afirma que, pouco após o discurso, Flávio Bolsonaro telefonou para ela e os dois discutiram. “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi”, narrou.
André Fernandes, no entanto, tem articulado que o partido lance seu pai, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), como senador. Michelle afirma que a candidatura de Priscila havia sido acordada com Jair Bolsonaro.
“Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro […]Já que a aliança com Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga de seu próprio pai? Por que só a mulher tem que ceder?”, questionou Michelle.
Ela também usou o vídeo recente para criticar novamente o apoio a Ciro. “Eu sou contra ela [a aliança], mas essa é apenas a minha convicção. Se a direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem”, disse. “Mas a coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno”.
Quem são os nomes que aparecem na briga
Quem é quem na confusão que gerou briga entre Michelle e Flávio Bolsonaro — Foto: Divulgação e Reprodução.
A discussão descrita por Michelle envolve:
André Fernandes: deputado federal e presidente do PL Ceará, André articulou desde 2025 uma aproximação do Partido Liberal ao PSDB de Ciro Gomes; defende uma união de grupos à direita em torno de um candidato para enfrentar o governador Elmano de Freitas (PT); também defende que o seu pai, Alcides Fernandes, seja o candidato do PL ao Senado
Ciro Gomes: ex-ministro e ex-governador do Ceará, foi lançado pré-candidato do PSDB ao Governo do Ceará em 16 de maio deste ano; o evento contou com participação de lideranças do PL;
Eduardo Girão: senador do Ceará, é pré-candidato do partido Novo ao Governo do Estado; tem apoio de Michelle Bolsonaro;
Alcides Fernandes: deputado estadual pelo PL, é pai de André Fernandes e foi lançado pelo filho como candidato do partido no Ceará ao Senado;
Priscila Costa: vereadora de Fortaleza pelo PL, irá assumir a vaga de deputada federal que era de Dayany Bittencourt (União), esposa de Capitão Wagner (União) – outro nome forte da direita no Ceará. Em 2025, Priscila foi lançada por Michelle Bolsonaro como candidata do PL ao Senado no Ceará.
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